Project Management Institute

Desdobrar-se

Para construir o maior arranha-céu de madeira do mundo, uma equipe teve que repensar tudo

DE JEN THOMAS

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FOTOS DE CORTESIA DE MOELVEN LIMTRE

O material de construção do momento não é um metal recém-descoberto extraído do núcleo da Terra nem um polímero super-resistente criado em um laboratório. Não, na verdade é um dos produtos de construção mais antigos conhecidos pelo homem, a madeira, e está surgindo nos planos de projeto em todo o mundo.

Os benefícios ambientais da construção da madeira são atraentes: enquanto a produção de aço e concreto emitem dióxido de carbono (responsável por cerca de 8 por cento e 5 por cento das emissões globais, respectivamente), a madeira absorve mais dióxido de carbono do que produz. Também atraente é o seu potencial para acelerar os cronogramas de construção: a madeira não requer otempo de assentamento de materiais despejados, como concreto, por exemplo, de modo que os projetos de construção com madeira normalmente podem ser concluídos em um tempo mais curto.

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“[O desenvolvedor Arthur Buchardt] sentiu que era hora de fazer algo especial, fazer uma mudança e inspirar os outros”.

— Rune Abrahamsen, Moelven Limtre, Moelv, Noruega

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Essas vantagens intrigaram o desenvolvedor Arthur Buchardt da AB Invest AS, que, em 2015, contratou o fabricante de madeira Moelven Limtre para um projeto de arranha-céu de madeira (também chamado como “plyscraper”) para servir de referência para outras equipes de construção na Noruega.

“Ele sentiu que estava na hora de fazer algo especial, implementar uma mudança e inspirar outros”, disse Rune Abrahamsen, CEO, Moelven Limtre, Moelv, Noruega. “Ele na verdade desenhou um prédio em um guardanapo e perguntou a mim e aos meus colegas: vocês podem fazer isso? Nós respondemos: dê-nos algumas semanas para analisar se é possível ou não”.

Abrahamsen, também engenheiro estrutural, levou o rascunho do projeto rudimentar de volta à sua equipe, que o declarou viável. Com o sinal verde da viabilidade, Arthur lançou o projeto Mjøstårnet e convocou o empreiteiro Hent AS. Moelven Limtre foi selecionado para fornecer e colocar a madeira laminada com cola — ou glulam — com a qual o edifício seria estruturado e que suportaria toda a carga vertical e horizontal. (Construções híbridas de madeira, em comparação, dependem de um núcleo de aço ou concreto para suportar a carga.) A construção no Mjøstårnet de uso misto começou em abril de 2017, em Brumunddal, Noruega.

Madeira!

Fevereiro de 2015:
As reuniões de planejamento entre o construtor Arthur Buchardt e o fornecedor de madeira MoelvenLimtre começam.

Abril de 2016:
Quase 200 países assinam o Acordo de Paris, que visa reduzir o aquecimento globale serve como pontode inspiração para onovo projeto verde de Buchardt.

Janeiro de 2017:
A AB Invest AS, de Arthur, e a empreiteira Hent AS assinam um contrato.

Abril de 2017:
construção no local do projeto começa.

Março de 2019:
A construção é concluída e o Mjøstårnet é declarado a mais alta construção de madeira do mundo pelo Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano.

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ATINGINDO NOVAS ALTURAS

No início, a estrutura de NOK 700 milhões estava programada para ter 67,891 metros de altura — um pedido altamente específico (e sequencial) de Arthur. Esse número foi posteriormente arredondado para 81 metros. Mas quando Arthur percebeu que adicionar um pouco mais de altura significaria que ele poderia conquistar o título de “edifício de madeira mais alto do mundo” da HoHo Tower, em Viena, Áustria, fez uma alteração para aumentar a altura final a 85,4 metros.

Ajustar os planos do projeto durante a fase de execução exigiu alguma engenhosidade (as fundações e estruturas já haviam sido utilizadas em quase 100% da capacidade), mas Rune e sua equipe encontraram alguma margem de manobra na estrutura do teto da pérgula do prédio.

“Essa estrutura teve que ser redesenhada porque originalmente os planos do projeto exigiam que as vigas de madeira laminadas com cola fossem quadradas”, disse Rune. Ao arredondar as bordas, a equipe melhorou a aerodinâmica da pérgula. “Dessa forma, ele pega menos vento e a carga no prédio é reduzida de volta ao que projetamos originalmente, apesar da altura adicional”, disse ele.

As estruturas de madeira no topo foram fabricadas ocas em vez de sólidas, o que ajudou a diminuir as rachaduras. E o material menos caro no topo significou que a mudança quase não impactou o orçamento do projeto.

“Quando grandes seções transversais são ao ar livre, ficam vulneráveis a mudanças de umidade e temperatura”, disse Rune. “Queríamos evitar rachaduras o máximo possível, e ao fazer as seções transversais ocas, essas rachaduras ficarão dentro da seção transversal”.

Rune e sua equipe também atenuaram ainda mais os efeitos do vento — concentrando-se no que ele chama de “critérios de conforto” dos residentes nos andares superiores, que não sentirão o balanço do prédio —, substituindo os pisos de madeira nos seis andares superiores por lajes de concreto, e reforçando ainda mais a estrutura de madeira circundante.

“Essa decisão não tem nada a ver com segurança estrutural ou desvios do edifício”, disse ele. “Tem a ver com o fato de que, se o prédio for leve e você estiver no topo quando houver vento, poderá sentir enjoo”.

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ACEITAR A CURVA DE APRENDIZAGEM

Embora a equipe de Moelven Limtre seja bem experiente nas complexidades da construção com madeira, a empreiteira Hent AS nunca construiu uma estrutura de madeira com a escala e a complexidade dos 18 andares do Mjøstårnet. Isso significava menos lições aprendidas para obter insights e mais tempo para dedicar ao planejamento meticuloso do projeto.

Segundo o gerente de projeto Erik Tveit, da Hent AS, o cronograma era uma das principais preocupações. A equipe obteve eficiências com a construção de quatro a cinco andares de cada vez, em vez dos típicos dois a três, com o glulam. Isso ajudou a manter o cronograma acelerado, apesar de outros processos que levaram mais tempo, como instalar as estruturas de madeira que separam cada andar.

Ainda assim, o glulam apresentou seus próprios desafios. As grandes colunas e vigas que permitiram que a equipe construísse cinco andares de cada vez acabaram apresentando um problema: transportá-las para o local do projeto. “As estradas na Noruega nem sempre são as melhores para o transporte de itens compridos, então, precisávamos encontrar rotas diferentes para os caminhões chegarem ao local”, disse Erik, Oslo, Noruega. “Essa é uma grande diferença em relação a um edifício de aço e concreto”.

O clima foi outro risco para os materiais do projeto. “Normalmente, você apenas constrói o concreto e o aço, e não importa a umidade relativa no local”, disse ele. Não com madeira. Embora a chuva não destruiria a madeira, precisávamos tratá-la com rapidez. Assim, a equipe desenvolveu um plano para manter mais material coberto durante o transporte e a construção, com frequentes verificações de umidade.

Com todos os aprendizados que a equipe da Hent AS obteve do seu trabalho no Mjøstårnet, Erik está confiante de que seu próximo arranha-céu de madeira pode ser construído mais rapidamente. “Desde o início, estabelecemos que queríamos fazer um manual para futuros projetos de construção com madeira”, disse ele. “À medida que aprendemos coisas novas e como executar certas tarefas com mais eficiência, colocamos isso no manual”. Consultar esse guia de lições aprendidas é o primeiro passo para as equipes de projeto que trabalham em projetos com madeira, disse ele.

PROVA DE FOGO

Com problemas de vento e água resolvidos, o Mjøstårnet tinha mais um elemento para enfrentar: o fogo. Estruturas de madeira têm uma má reputação de longa data de não serem resistentes a chamas. Séculos atrás, cidades como Londres, Inglaterra, e Chicago, Illinois, Estados Unidos, quase foram exterminadas por causa de incêndios que se espalharam rapidamente, engolindo prédios inteiros, como se fossem lenha. Mas os métodos e materiais de construção de hoje são projetados para resistir à queima.

Para o Mjøstårnet, a equipe se reuniu com autoridades locais e nacionais para desenvolver uma estratégia de mitigação de incêndios. Isso incluiu executar demonstrações de teste nos produtos de glulam em um laboratório, usando várias unidades diferentes de pilares e vigas para provar que o material do projeto previne naturalmente a propagação do fogo por todo o prédio.

Laçar as raízes

A Noruega não é o único país que investe em estruturas de madeira mais ecológicas. Aqui estão três outros projetos de construção de madeira em andamento.

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IMAGEM DE CORTESIA DA SHIGERU BAN ARCHITECTS

Terrace House

Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá
Com conclusão prevista para 2020, esta estrutura híbrida de madeira de 71 metros projetada pelo arquiteto japonês Shigeru Ban abrigará 20 residências de luxo com vista para a idílica orla marítima de Vancouver. Quando terminar, será oarranha-céu híbridode madeira mais alto do mundo.

“Se houver um incêndio dentro de uma dessas células de incêndio — ou seja, um apartamento, quarto de hotel ou sala de reunião —, tudo dentro da célula de incêndio pode queimar completamente”, disse Rune. “A única coisa que resta para queimar é na verdade a estrutura de glulam. Mas quando não há mais combustível para a estrutura glulam, o fogo se apaga e o glulam só fica chamuscado”.

As agências locais ficaram satisfeitas com os resultados dos testes de laboratório e a construção continuou em ritmo acelerado. Em março, 23 meses após oprimeiro patrocinador do projeto ter esboçado umarranha-céu de madeira nas costas de um guardanapo,oMjøstårnet abriu suas portas.

“Estamos orgulhosos do prédio, obviamente, mastambém esperamos que com este projeto possamos inspirar outros clientes na Noruega e em qualquer lugar a considerar a madeira como uma opção viável para seus prédios altos”, disse Rune. “Substituir um pouco do concreto e do aço por madeira ajuda nosso clima e melhora a sustentabilidade. Então, queremos que nosso recorde seja quebrado. Estamos ansiosos para fazer isso. PM

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IMAGEM DE CORTESIA DA SUMITOMO FORESTRY

W350

Tóquio, Japão
Com planos de projeto revelados em 2018 e conclusão programada para coincidir com o 350.º aniversário da Sumitomo Forestry, a torre W350, de 350 metros, será oedifício mais alto do Japão. O projeto do arranha-céude JPY 600 bilhões será fabricado com 90 por cento demateriais de madeira.

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CORTESIA DE IMAGEM DA PLP ARCHITECTURE

Oakwood Timber Tower

Londres, Inglaterra
Ainda na fase de proposta de pesquisa, este edifício de uso misto projetado pela PLP Architecture acrescentaria 1.000 novas unidades residenciais à cidade e chegaria a 300 metros de altura, tornando-se o segundo edifício mais alto de Londres, após o Shard, de 95 andares.

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