Atala Prism: Por usar o blockchain para melhorar os resultados educacionais — e impulsionar uma mudança socioeconômica positiva

2021 MIP #14

 

14

O Vale do Silício não tem a inovação tecnológica de ponta como foco exclusivo.

A Etiópia está trabalhando em um novo sistema de identificação com base em blockchain que pode abrir caminho para a mobilidade social e financeira dos alunos — principalmente dos 80% que vivem em áreas rurais.

O problema? O país não tinha um sistema para manter ou compartilhar registros de desempenho. E isso tornava quase impossível para os alunos comprovarem suas credenciais acadêmicas para empregadores em potencial ou instituições de ensino superior, o que muitas vezes limitava severamente suas perspectivas. Procurando mudar isso, o Ministério da Educação anunciou em abril o Atala Prism, um banco de dados digital nacional desenvolvido pela IOHK de Hong Kong, a empresa por trás da criptomoeda Cardano.

O novo sistema fornecerá identidades digitais seguras para 5 milhões de alunos e 750.000 professores em 3.500 escolas. Os professores podem monitorar o desempenho dos alunos, identificar áreas de baixo desempenho e alocar melhor os recursos educacionais. Como o maior acordo de blockchain já assinado por um governo, o projeto está demonstrando como ativos criptográficos podem ajudar a impulsionar mudanças socioeconômicas positivas em toda a África e além.

img

IMAGENS DE CORTESIA DA IOHK

A Etiópia é uma das economias de crescimento mais rápido do mundo, mas ainda enfrenta altas taxas de pobreza. E com 46 por cento da população do país com menos de 15 anos, encontrar uma maneira de rastrear e potencialmente melhorar os resultados da educação pode representar uma virada, e estabelecer um progresso significativo em direção à estratégia de transformação Etiópia Digital 2025.

Com o projeto programado para ser concluído até o final de 2021, John O'Connor, diretor de operações da IOHK, na África, fala sobre o ímpeto e a promessa do projeto.

Que problema você esperava resolver?

Estamos capturando dados que não existiam antes e permitindo que o Ministério da Educação comece a dizer: “Na região de Amhara, temos resultados realmente bons em matemática, mas na região de Oromia esses resultados são incrivelmente ruins. Por que isso acontece?” E eles podem começar a se aprofundar nessas questões.

Da perspectiva do aluno, você deseja ver análises sobre seu desempenho, deseja ver suas credenciais digitais — e essas informações também precisam estar relacionadas a outros recursos e funcionalidades, como a programação de aulas. No futuro, também podemos integrar sistemas de gerenciamento de aprendizagem, para que os alunos possam usar o sistema para descobrir quais tarefas eles precisam fazer, e fazê-las no tablet.

Como você convenceu o governo da Etiópia de que o blockchain era a solução certa?

Os estados estão começando a entender que a identidade digital baseada em blockchain não é tão disruptiva ou iconoclasta quanto eles poderiam ter pensado. Em vez disso, permite que os governos cumpram seu papel tradicional de gerar confiança quando se trata de documentação, enquanto participam deste novo mundo digital.

Como você estabeleceu uma estrutura com uma curva de aprendizado tão acentuada?

Fizemos muitas construções sob medida para poder criar uma experiência útil. O processo exigiu muito engajamento, não apenas do Ministério da Educação, mas de inúmeras partes interessados, como, por exemplo, os alunos. Não se trata apenas de entregar um produto. Trata-se de fazer algo que tenha um legado sustentável e possa ser replicado em outros mercados semelhantes.

Advertisement

Advertisement

Related Content

Advertisement