Narração de histórias e ciência cerebral

Este é o seu cérebro na história

Doug Stevenson

Resumo

Os gerentes de projeto enfrentam a tarefa assustadora de simplificar o que é complexo. Eles estão constantemente se comunicando com várias equipes envolvidas em um projeto. No entanto, eles precisam tornar sua comunicação memorável de modo que os membros de sua equipe se recordem do que foi comunicado com exatidão e detalhes. É aí que entra a narrativa estratégica.

Neste artigo, Doug Stevenson explica como e por que as histórias funcionam. Ele cita vários autores que apoiam sua metodologia de narração de histórias. Você aprenderá sobre a ciência do cérebro que explica por que as histórias são memoráveis e, se você entender a forma e a estrutura das histórias, como poderá ser mais eficaz e memorável em sua comunicação.

Introdução

No PMO Symposium® 2019 em Denver, Colorado, EUA, realizei uma sessão intitulada "Liderar, envolver-se e persuadir com narrativa estratégica". Foi no último dia na última manhã do simpósio e minha sala estava repleta de gerentes de projeto ansiosos.

Sendo um gerente de projetos, você tem um desafio exclusivo para seu papel. Você deve se comunicar com muitas pessoas diferentes com personalidades e estilos de aprendizagem distintos. Algumas são muito analíticas e se interessam por dados e fatos. Outras são pensadores de visão geral que são mais criativos e não lineares.

Isso me leva à narrativa. Por que você acha que Malcolm Gladwell é tão bem-sucedido? Todos os seus três livros, The Tipping Point: How Little Things Can Make a Big Difference (O ponto da virada: como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença) (2002), Blink: The Power of Thinking Without Thinking (Blink: a decisão num piscar de olhos) (2007), e o mais recente Outliers: The Story of Success (Fora de série: Outliers) (2011), são os mais vendidos. A resposta está no subtítulo de seu livro mais recente Fora de série: a história do sucesso.

Malcolm é um sintetizador, um reconhecedor de padrões. Depois que ele fez sua pesquisa e compilou muitos exemplos para ilustrar os pontos que deseja fazer, ele escreveu seus livros contando histórias. Ele é um bom contador de histórias. Da mesma forma, os gerentes de projeto podem ser comunicadores mais eficazes se usarem histórias para motivar e engajar uma equipe de projeto, ajudar a obter financiamento e suporte de um patrocinador de projeto e envolver usuários e partes interessadas.

Daniel Pink, o autor de A Whole New Mind: Why Right Brainers Will Rule the Future (2006), afirma: "A história representa um caminho para a compreensão que não atravessa o lado esquerdo do cérebro". É sua crença que as pessoas que conseguem reconhecer padrões e fazer sentido a partir de eventos e informações aparentemente não relacionados serão bem sucedidas enquanto o pensador puramente lógico do cérebro esquerdo terá dificuldades. Em sua opinião, o futuro pertence aos pensadores de visão geral, os contadores de histórias.

Com a minha experiência em falar diante de milhares de públicos empresariais, aprendi que as histórias são memoráveis devido às imagens e emoções contidas na história. A lição da história é memorizada porque está incorporada a uma imagem. A imagem não é uma imagem estática; é uma imagem em movimento, um filme. Enquanto ouve uma história, você a vê simultaneamente como em uma tela de filme na sua mente, na sua imaginação. Além disso, uma imagem em movimento, um filme, funciona melhor do que uma imagem estática.

"A narração de histórias melhora o seu poder de persuasão. Se você está propondo um produto ou serviço e seus ouvintes não estão 'convencidos', contar uma história sobre seu uso em outro lugar 'comprova' seu mérito, pois permite que o ouvinte faça um teste drive do produto ou serviço" (Stevenson, 2008).

Isso é importante porque, como gerente de projetos, você quer que sua mensagem seja memorável. Se você fizer uma apresentação entediante e as pessoas esquecerem o que você disse no minuto em que você sair da sala, o projeto é impactado. As pessoas cometem erros. Elas interpretam de maneira incorreta o que você disse. Elas vão em sua própria direção e, então, você precisa coletar as peças e juntá-las novamente.

O contexto é tão importante quanto o conteúdo. Um projeto é uma jornada do ponto A ao ponto B. O ponto A é a gênese do projeto e a jornada até o resultado final é o ponto B. O ponto B pode ser ilustrado com a história de férias em família. Se você quiser ilustrar por que uma mudança no fluxo de um projeto precisa ser feita, encontre um momento semelhante nas férias em família onde uma mudança nos planos ocorreu. Isto pode não parecer lógico, mas é conciso; porque a história das suas férias em família parece irrelevante para o ponto em que você está tentando chegar e isso é o que mantém as pessoas engajadas. Elas estão curiosas para saber para onde esta história está indo e como ela se aplica ao tópico em questão. Você fornece contexto para o seu conteúdo depois de estabelecer a conexão com a lição da sua história.

Quando você entende como o cérebro de seu ouvinte é ativado por uma história, você pode usar a narração de histórias para ser mais persuasivo e memorável. Se, após a apresentação, ninguém se lembrar de nada que você disse, houve falha na comunicação.

Vamos testar minha teoria sobre como a memória funciona. Reserve um momento agora para pensar em um filme que você viu pela primeira vez há mais de 10 anos. Você identificou seu filme? Agora, do que você se lembra quando pensa neste filme?

Aposto que a primeira coisa que veio à sua mente foi uma imagem, personagem ou cena. Se eu pedisse para descrever a cena, você poderia fazer isso com detalhes vívidos. Você se lembra dos atores, suas roupas, o local, a situação e as emoções. Você pode ver essas imagens com a mesma facilidade de quando estava assistindo ao filme.

Vamos recapitular este processo: primeiro, você se lembra da cena em imagens. Em seguida, você se lembra das emoções relacionadas a essas imagens. Isso ocorre porque vemos, sentimos e vivenciamos novamente a cena em tempo real.

A última coisa da qual você se lembra é do diálogo. Mas, em comparação com o quão vividamente você se lembra das imagens, provavelmente se lembrará apenas de algumas palavras do diálogo. Talvez você se lembre de uma fala que se tornou famosa pela repetição, como "complete meu dia" ou "a vida é como uma caixa de chocolates". Seu cérebro se lembra das fotos primeiro. Em seguida, ele se lembra do contexto emocional e, por fim, se lembra da fala.

Isso é um problema. Pense na sua apresentação. Qual é a porcentagem de palavras para imagens? O que isso significa se você tiver muito conteúdo, muitos slides com grande volume de palavras e nenhuma história? Isso significa que você não consegue se conectar emocionalmente com seu público e a maioria do seu conteúdo desaparece.

No entanto, quando você conta uma história estrategicamente escolhida e criada, suas chances de fazer com que as pessoas se lembrem das palavras e dos dados que você quer que se lembrem aumentam exponencialmente.

A lógica explica. As histórias persuadem.

Em seu novo livro Brain Rules: 12 Principles for Surviving and Thriving at Work, Home, and School (Aumente o poder do seu cérebro: 12 regras para uma vida saudável, ativa e produtiva) (2014), o biólogo molecular John Medina explica esse fenômeno. "Quando o cérebro detecta um evento emocionalmente carregado, a amígdala libera dopamina no sistema. Como a dopamina ajuda muito a memória e o processamento de informações, você pode dizer que ela cria uma nota adesiva com a frase: lembre-se disso".

Isso explica porque os membros da audiência que me viram contar uma história em uma palestra há mais de 10 anos se aproximam de mim como se eu fosse um amigo há muito perdido e dizem: "ainda me lembro da sua história do aeroporto". Mas é o que eles dizem a seguir que prova a eficácia do meu método Story Theatre como uma habilidade essencial de liderança. Com um sorriso no rosto, dizem: "ainda estou procurando a limusine".

"Procurar a limusine" é o ponto marcante da história. Eu chamo de frase de efeito, um velcro mental que faz o ponto da sua história ser memorizado. Como eles se lembram da história, eles se lembram do ponto. Quando eles se lembram do ponto, ele se torna acionável. Qual é o ponto de desenvolver uma apresentação repleta de conteúdos excelentes se ninguém se lembra do que você disse, do que você queria que eles fizessem ou das mudanças que precisavam fazer?

O método Story Theatre é uma síntese da forma e da estrutura da narrativa, das habilidades avançadas de apresentação e da marca da mensagem. A estrutura torna a história fácil de seguir; as habilidades avançadas de apresentação atraem o público para a experiência e estimulam uma resposta emocional; e a mensagem marcante oferece a ele uma "chamada para ação" que é possível aplicar em suas vidas.

Marco Iacoboni é neurocientista, profissional que estuda o funcionamento do cérebro. Em seu livro Mirroring People: The Science of Empathy and How We Connect With Others (Espelhando as pessoas: a ausência da empatia e como nos conectamos com os outros) (2009), ele pergunta: "Por que nos cedemos à emoção durante as cenas cuidadosamente elaboradas e comoventes de alguns filmes? Porque os neurônios espelhos em nosso cérebro recriam para nós o desconforto que vemos na tela. Temos empatia pelos personagens fictícios, sabemos como eles se sentem, porque literalmente experimentamos os mesmos sentimentos".

Não ouvimos apenas histórias; vemos imagens e sentimos emoções. Temos uma resposta de neurônio espelho que nos faz experimentar os momentos da história como se ela estivesse acontecendo conosco. Por isso, quando o contador de histórias alcança seu ponto, ele é memorável. É por causa desse intenso nível de engajamento e participação.

Por sua própria natureza, a história é um evento emocionalmente estimulante que envolve ouvintes e mantém sua atenção. Com o advento dos telefones celulares, competir pela atenção dos membros do seu público é o primeiro desafio que um apresentador ou líder enfrenta. Uma boa narrativa resolve esse problema. Então, com a arte da narrativa, podemos adicionar significado à história com um ponto bem escolhido.

Em seu livro Things That Make Us Smart: Defending Human Attributes in the Age of the Machine (Coisas que nos tornam inteligentes: defendendo os atributos humanos na era da máquina) (1994), Don Norman diz: "As histórias são eventos cognitivos importantes, pois elas encapsulam em um pacote compacto informações, conhecimento, contexto e emoção". As histórias capturam a visão geral.

Agora é a hora de você se tornar um compartilhador sábio, um sintetizador e um contador de histórias. Simplesmente "passar pelo conteúdo" não é apenas ineficaz; é um desperdício de tempo para todos. No entanto, simplesmente contar uma história não fará de você um líder melhor. Deve ser a história certa, criada estrategicamente para alcançar o ponto certo, entregue no momento certo e de uma maneira convincente.

Vou deixar o autor Daniel Pink (2006) mostrar meu argumento final sobre a necessidade de os gerentes de projeto e líderes se tornarem contadores de histórias. "As histórias são mais fáceis de se lembrar porque as histórias são como nos lembramos. Quando os fatos se tornam tão amplamente disponíveis e instantaneamente acessíveis, cada um se torna menos valioso. O que começa a ser mais importante é a capacidade de colocar esses fatos no contexto e entregá-los com impacto emocional".

Se você precisar influenciar sem autoridade, conte uma história. Se você precisar se comunicar com uma força de trabalho diversificada, conte uma história. Se você precisar influenciar as pessoas a mudar de ideia ou comportamento, conte uma história.

Barra lateral:
as nove etapas da estrutura da história foram projetadas para contar histórias em um ambiente profissional ou de negócios. Siga estas etapas e sua história terá uma sequência lógica, bem como uma tensão dramática sólida. Ela também conterá uma lição clara, concisa e prática.

  1. Defina a cena: hora e local; quando e onde?
  2. Apresente os personagens: descreva os principais personagens.
  3. Comece a jornada: a tarefa, a atividade ou a iniciativa; o que você estava tentando fazer ou realizar antes do momento em que algo deu errado?
  4. Encontre o obstáculo: o que dá errado ou não vai de acordo com o plano.
  5. Supere o obstáculo: o que você fez para superar o obstáculo.
  6. Resolva a história: descreva como as coisas funcionaram no final.
  7. Alcance um ponto: escolha uma lição ou um ponto da sua história.
  8. Faça a pergunta: use a pergunta "e você?" para transferir a lição para o ouvinte.
  9. Reafirme o ponto: reafirme a lição da história da Etapa 7 como uma chamada para ação.

Referências

Gladwell, M. (2002). O ponto da virada: como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença. Nova York, NY:

Back Bay Books.

Gladwell, M. (2007). Blink: a decisão num piscar de olhos. Nova York, NY: Back Bay

Books.

Gladwell, M. (2011). Fora de série: a história do sucesso. Nova York, NY: Back Bay Books.

Iacoboni, M. (2009). Espelhando as pessoas: a ciência da empatia e como nos conectamos com os outros.

Nova York, NY: Picador.

Medina, J. (2014). Regras do cérebro: 12 princípios para sobreviver e prosperar no trabalho, em casa, e na

escola. Seattle, WA: Pear Press.

Norman, D. (1994). Coisas que nos tornam inteligentes: a defesa dos atributos humanos na era das

máquinas. Nova York, NY: Basic Books.

Pink, D. (2006). Uma mente inteiramente nova: por que os cérebros certos irão governar o futuro. Nova York, NY:

Riverhead Books.

Stevenson, D. (2008). Doug Stevenson, Método Story Theater: narração estratégica de histórias em

negócios. Colorado Springs, CO: Cornelia Press.

Sobre o autor

Doug Stevenson, CSP, fala com líderes, vendedores, gerentes de projeto, gerentes e executivos para ajudá-los a fazer uma conexão emocional por meio do domínio da narrativa. Ele faz palestras e fornece treinamento e orientação.

Ele é o CEO da Story Theatre International, uma empresa de palestras, treinamento e orientação sediada em Tucson, Arizona, EUA. Ele é Doug Stevenson, autor do livro Story Theater Method (Método Story Theater). Ele apresentou palestras, programas de treinamento personalizados e retiros de narrativa em 18 países. Sr. Stevenson também é um orientador requisitado em conferências da TED, palestras e narração de histórias por qualquer pessoa que precise ser mais influente e persuasiva ao falar.

Embora ele seja um talentoso contador de histórias, é sua capacidade de ensinar aos outros a ser contadores talentosos de histórias que o distingue. Sua metodologia de narrativa ajuda você a escolher a criação e a apresentação histórias que tenham um ponto, ensinam uma lição ou vendem um produto ou serviço.

Alguns de seus clientes são Microsoft, Oracle, Google, SAP, Amgen, Bristol Myers-Squibb, Genentech, Pfizer, Red Bull, State Farm, Aetna, USAA, Deloitte, Wells Fargo, Lockheed Martin, Coca Cola, Caterpillar, Medstar Hospitals, The American Medical Association e muito mais.

Entre em contato com Doug pelo e-mail [email protected]
ou ligue para 1-719-310-8586.
www.storytelling-in-business.com

Doug Stevenson, Copyright 2020. Todos os direitos reservados. Reimprima somente com permissão.

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