Como una esponja

Equipes em toda a China estão inovando para mitigar os problemas de inundação nas cidades

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FOTO DE VISUAL CHINA GROUP VIA GETTY IMAGES

Uma ponte temporária ajuda os moradores a atravessarem inundações em 2016, em Wuhan, China.

O problema de drenagem da China precisa de soluções urgentes e inovadoras. As inundações afetam regularmente 641 das 654 maiores cidades, às vezes com altos índices de mortalidade. E um aumento de um metro no nível do mar poderá deslocar até 23 milhões de pessoas, segundo o Banco Mundial. Em resposta, equipes de 30 municípios estão enfrentando um enorme programa patrocinado pelo governo para absorver a água da chuvas intensas.

Os chamados projetos de cidades-esponjas exigem que equipes de cidades propensas a inundações construam infraestrutura e espaços verdes que possam absorver a água. Isso inclui tudo: desde a instalação de jardins de chuva até a criação de mais áreas com pavimento permeável. Alguns projetos foram concluídos, enquanto muitos outros devem ser terminados no próximo ano.

Em Wuhan, por exemplo, as equipes concluíram ou estão trabalhando em mais de 200 projetos. Isso inclui uma iniciativa de CNY 1,3 bilhão para revisar o Parque de Nanganqu, de 3,8 quilômetros quadrados, para adicionar jardins de chuva, valetas de grama e lagoas artificiais.

Baixar os níveis de água é um objetivo alto. Depois do início de projetos em 2015, o governo chinês estabeleceu uma meta para 2020 de atingir 20 por cento da terra urbana capazes de absorver pelo menos 70 por cento da água da chuva. A segunda fase dos projetos, que se estenderão até 2030, eleva essa meta para que 80 por cento da terra de cada cidade seja capaz de absorver 70 por cento da água da chuva.

As equipes criaram projetos personalizados especificamente para o ambiente arquitetônico exclusivo de cada cidade. Em Xangai, que é repleta de arranha-céus, por exemplo, as equipes estão focadas na construção de 400.000 metros quadrados de jardins em coberturas. É uma solução prática para esta cidade densamente povoada, onde há pouco lugar para novos espaços verdes no solo ou para a reforma das estradas existentes. Essas opções também podem demandar muito tempo e dinheiro.

Onde os projetos foram concluídos, as cidades-esponja estão obtendo outros benefícios, além do controle de inundações. “A infraestrutura da cidadeesponja é benéfica porque também está mudando o ambiente, ajudando com a poluição e criando uma melhor qualidade de vida nessas áreas”, disse Wen-Mei Dubbelaar, diretor de gerenciamento de águas da Arcadis China, ao The Guardian.

Porém, a China terá que ser criativa para sustentar os esforços urbanos. Depois da conclusão da primeira fase no próximo ano, o governo central não fornecerá mais financiamento, que até agora representa cerca de 15 a 20 por cento de cada projeto. O restante dos custos foram divididos entre os governos locais e o setor privado. Para preencher a lacuna de financiamento, as cidades e as equipes de projeto devem criar novos fluxos, incluindo o uso de parcerias público-privadas (PPPs) com desenvolvedores, proprietários e investidores, disse Faith Chan, PhD, professor associado da Escola de Ciências Geográficas da Universidade de Nottingham, Ningbo, China.

“O PPP é o caminho a seguir, capaz de criar uma estratégia em que todos saem ganhando e que beneficiam diversas partes-interessadas”, disse ele. “Isso reduzirá o orçamento dos contribuintes — e os moradores e o público poderão aproveitar as infraestruturas e instalações de esponja”.

Por fim, disse o dr. Chan, a falta de financiamento do governo central pode se tornar um catalisador de mudança e inovação. “Esses desafios podem ser boas oportunidades para as partes interessadas realizarem melhor os projetos das cidades”. — CJ Waity.

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