Quem poupa tem

Projetos de tecnologia extirpam ineficiências da área de saúde nos Estados Unidos

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Tina Esposito, Advocate Aurora Health, Chicago, Illinois, EUA

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Senão bastasse o alto custo da assistência médica particular nos Estados Unidos, grande parte dessas despesas podia ser evitada. De acordo com um estudo de 2019 do Journal of the American Medical Association, cerca de 25% dos gastos com saúde do país são um desperdício. Isso significa pelo menos US$ 760 bilhões por ano.

Fonte: Journal of the American Medical Association

“A assistência médica dos EUA tem problemas de acesso, custo e qualidade — as três características que os pacientes procuram”, disse Peter Chang, MD, vice-presidente de cuidados de transição do Hospital Geral de Tampa, Tampa, Flórida, EUA.

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— Peter Chang, MD, Hospital Geral de Tampa, Tampa, Flórida, EUA

No entanto, algumas organizações de assistência médica dos EUA estão provando que os projetos de TI podem ajudá-las a encontrar eficiências e oferecer melhores cuidados.

Depois de implementar uma ferramenta de gerenciamento de medicamentos baseada em nuvem, em 2018, o programa LIFE St. Mary, em Trevose, Pensilvânia, conseguiu diminuir em 16 por cento as caras consultas do departamento de emergência e em 27 por cento o total de internações. Fornecedores e farmacêuticos usam uma ferramenta, chamada MedWise, para revisar os medicamentos de pacientes de alto risco e evitar eventos adversos de medicamentos que possam resultar em atendimentos no hospital.

Em Winston-Salem, Carolina do Norte, a Infinite Leap, uma provedora de tecnologia em saúde, implementou recentemente vários projetos de serviços de localização em tempo real (SLTR) na Wake Forest Baptist Health. Essas soluções ajudam a equipe da Wake Forest Baptist Health a localizar o equipamento clínico e usá-lo com eficiência. Em 2019, a Infinite Leap lançou um projeto que fornecia a todos os pacientes internados crachás do SLTR, permitindo que a equipe rastreasse melhor a localização e o status do paciente e otimizasse os fluxos de trabalho, como processos de ronda e alta de pacientes.

Os executivos da Wake Forest Baptist Health estimam que todos os projetos de SLTR concluídos economizaram US$ 3,5 milhões aos sistemas de saúde a cada ano e reduziram o tempo de espera dos pacientes em até 50 por cento. Porém, para que essas iniciativas de TI ofereçam benefícios genuínos, os gerentes de projeto precisam superar os interesses de especialistas em tecnologia e profissionais de saúde, garantindo que os médicos adotem as mudanças.

VÍNCULO COMUM

Os projetos de TI da área de saúde não podem fornecer soluções por si só. Devem cortar custos e melhorar o atendimento, o que significa que os especialistas em dados e os médicos precisam trabalhar em conjunto para descobrir o que os projetos devem fazer e a melhor maneira de fazê-lo.

“A análise tem um potencial inacreditável de fornecer informações, mas será tão boa como for a parceria entre o pessoal de informática e da clínica”, disse Tina Esposito, diretora de informações de saúde da Advocate Aurora Health, Chicago, Illinois.

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— Tina Esposito, Advocate Aurora Health, Chicago, Illinois, EUA

Essa foi uma lição que a Advocate Aurora Health aprendeu desde o início em um projeto para desenvolver uma ferramenta de análise preditiva. Os líderes do sistema de assistência médica queriam determinar os pacientes com maior risco de retornar ao pronto-socorro, para que seus gerentes de atendimento pudessem ligar para eles e assegurar que estavam cuidando de si mesmos. Historicamente, o sistema de saúde tentava fazer essa determinação observando as populações de pacientes que tinham custado mais e feito mais idas à emergência no passado.

O problema era que o passado não previa o futuro. Os pacientes que mais haviam ido ao hospital não eram necessariamente os que mais o utilizariam no futuro. “Tivemos que prever os pacientes com o custo mais alto, em vez de confiar em uma análise retrospectiva de quem tinha o custo mais alto”, disse Tim Arnold, gerente da Advocate Cerner Collaborative da Cerner, uma provedora de serviços de TI em saúde. Tim mora em Chicago.

A equipe solicitou a seus profissionais de saúde os tipos de pacientes que mais se beneficiariam das ligações de intervenção feitas pelos gerentes de assistência, para que os especialistas em dados pudessem criar uma ferramenta preditiva que os identificasse. Os médicos criaram cerca de meia dúzia dessas condições, incluindo asma e demência, e, no projeto piloto, a equipe se concentrou em insuficiência cardíaca. O modelo preditivo extraiu centenas de variáveis para determinar os pacientes com insuficiência cardíaca que apresentavam o maior risco de ir ao hospital em 90 dias.

Os clínicos e cientistas de dados colaboraram estreitamente por meio de check-ins formais regulares e conversas mais casuais. Quando os analistas de dados descobriram que cerca de 20 por cento dos pacientes que retornaram ao hospital o fizeram dentro de 10 dias da alta e 30 por cento, dentro de duas semanas, os médicos perceberam que as intervenções por telefone tinham que acontecer o mais rápido possível.

Antes do projeto, os gerentes de assistência contatavam os pacientes por volta de duas semanas depois de identificá-los. agora, entram em contato em apenas quatro ou cinco dias após a identificação pelo modelo preditivo.

Concluído em 2018, o projeto piloto da coorte de insuficiência cardíaca resultou em uma redução de 23 por cento de idas ao hospital. E a Advocate Aurora usou a mesma abordagem de equipe interdisciplinar para iniciativas analíticas preditivas subsequentes, como um projeto de 2019 para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica.

“Estamos percebendo um entusiasmo na área de saúde com o big data e sua capacidade de prever doenças ou mortalidade, mas a questão é: o que podemos fazer a respeito? Se podemos prever a mortalidade, é possível impedi-la ou retardá-la?”, disse Tim. “Essa pergunta nem sempre é feita se você tiver apenas cientistas de dados e eles não fizerem parceria com os médicos para encontrar maneiras de melhorar o atendimento aos pacientes”.

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— Tim Arnold, Cerner, Chicago, Illinois, EUA.

Os projetos de TI da área de saúde devem contar com a colaboração interdisciplinar, disse John Grdina, PMP, diretor de gerenciamento de projetos da Infinite Leap, Winston-Salem, Carolina do Norte. “Você precisa lidar com as pessoas nos departamentos clínico e de TI, por isso precisa falar uma linguagem de gerenciamento de projetos que os dois grupos entendam”.

RAIO-X DA MUDANÇA

Nos projetos de TI na área de saúde, o gerenciamento de projetos geralmente envolve mudanças. “É fácil ter uma ideia de projeto. O difícil é manter o esforço ativo”, disse Peter.

Em 2018, o Tampa General lançou o projeto CareComm (consulte “Cuidados coordenados”, na página 25), um centro de comando que usa aplicativos para fornecer informações em tempo real sobre como pacientes e provedores usam a instalação, em parte para maximizar a eficiência da equipe. “Isso requer um gerenciamento extensivo de mudanças para mostrar às partes interessadas que o que estamos fazendo economizará tempo”, disse Peter. “Quando você está pedindo às pessoas que mudem, precisa comunicar esse benefício imediatamente”.

A equipe do projeto CareComm encontrou uma maneira eficaz de fazer isso: ilustrar os benefícios que a nova tecnologia proporcionaria aos pacientes. Durante as sessões de treinamento do usuário, a equipe do projeto CareComm discutiu o caso de um paciente específico, cujo atendimento foi atrasado em razão do processo padrão do hospital. “Todo mundo falou: isso é inadmissível, não é isso que queremos entregar”, disse Peter. A equipe então demonstrou como o atendimento desse paciente melhoraria com o novo processo, mais eficiente. “As histórias dos pacientes são extremamente valiosas para tentar fazer as pessoas mudarem”, disse ele.

Nos projetos de SLTR da Infinite Leap, sua equipe também orienta os usuários finais no processo de adoção de uma grande mudança. “Fazer com que as pessoas se adaptem ao que estamos propondo pode ser um obstáculo, mas precisamos fazê-las mudar o processo padrão para melhor”, disse John.

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— John Grdina, PMP, Infinite Leap, Winston-Salem, Carolina do Norte, EUA

A equipe remove esse obstáculo ao garantir o apoio executivo desde o início, em parte, estabelecendo um comitê executivo diretivo. “Podemos dizer a qualquer um que este é o projeto certo a ser realizado, mas se não tivermos uma adesão de executivos, é difícil obter os benefícios”, disse John. “Se conseguirmos fazer os patrocinadores executivos aderirem ao projeto, ficará mais fácil fornecer esse apoio aos usuários finais”.

Assim como a equipe do CareComm, a Infinite Leap envolve os usuários por meio de treinamento extensivo, que demonstra como usar a tecnologia e os benefícios que ela oferece. “Não fechamos um projeto até que todos que forem usar a tecnologia tenham sido adequadamente treinados”, disse John.

Ter superusuários ajuda no processo de adoção, disse Joanna Wyganowska, PMP, vice-presidente de marketing da Infinite Leap, Fargo, Dakota do Norte. Os superusuários são os primeiros a aprenderem a nova tecnologia e depois transmitem esse aprendizado aos colegas. “Temos enfermeiros que atuam como superusuários, portanto, quando outros enfermeiros têm dúvidas sobre a tecnologia, é mais fácil aprender com alguém em seu próprio campo”, disse ela.

A Tabula Rasa realiza sessões de treinamento em grupo e individuais, disse Brian Adams, CFO da Tabula Rasa HealthCare, Moorestown, Nova Jersey. “Nossa fase de implementação é pesada em treinamento, para que os usuários finais estejam familiarizados com a forma de navegar pela plataforma e como interpretar suas informações clínicas para obter o benefício máximo”. PM

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TAMPA GENERAL HOSPITAL

Cuidados coordenados

Os executivos do Tampa General, um hospital comunitário de 1.000 leitos e centro médico acadêmico, sabiam que podiam melhorar em vários aspectos. “Tínhamos muitas ineficiências em nosso sistema. Havia falta de coordenação e automação na prestação de serviços de saúde”, disse Peter Chang, MD, vice-presidente de transição de atendimento do Tampa General Hospital, Tampa, Flórida, EUA.

O problema é enfrentado por quase todos os estabelecimentos de saúde. “Um hospital é essencialmente uma sala de espera muito grande e cara. Os pacientes estão lá esperando pelos resultados dos exames, medicamentos e médicos “, disse Peter. “Queríamos aproveitar o período entre esses eventos e compactá-los o máximo possível”. O departamento de emergência do Tampa General atende cerca de 300 pacientes por dia. “Portanto, minutos e até segundos são extremamente valiosos”, disse ele.

O Tampa General queria encontrar soluções de TI para alcançar dois resultados principais: “reduzir os custos o máximo possível e melhorar a qualidade e o acesso dos pacientes”, disse Peter.

Então, em 2018, lançou o projeto CareComm. Em parceria com a GE Healthcare, o Tampa General Hospital criou um centro de comando que usa blocos, ou aplicativos, que oferecem informações em tempo real sobre como pacientes e fornecedores usam a instalação. Essas informações são exibidas nas 40 telas do centro e os funcionários do centro atuam em colaboração para identificar eficiências e comunicá-las, entre si e para a equipe do hospital. Eles garantem que os pacientes cheguem e saiam do hospital a tempo, sem esperas desnecessárias por tratamento.

Por exemplo, o Tampa General possui cinco helicópteros que envia em casos de pacientes que sofreram traumas. No passado, garantir que o hospital estivesse pronto para um paciente traumatizado exigiria várias ligações entre muitos funcionários, resultando em atrasos. Agora, assim que um helicóptero decola, os membros da equipe CareComm acessam rapidamente informações em tempo real sobre a unidade de terapia intensiva e sua disponibilidade de quartos, para que, no momento em que o helicóptero aterrissar, o paciente possa ir diretamente para a sala disponível e a equipe já estará lá aguardando-o.

Com o aplicativo do departamento de imagem, a equipe do CareComm queria reduzir a quantidade de tempo necessária para os pacientes receberem imagens. O grupo de proprietários desse aplicativo identificou um gargalo: alguns pacientes chegavam aos procedimentos de ressonância magnética agendados sem antes terem o acesso IV necessário aplicado. Portanto, de acordo com a sugestão do grupo de usuários, o aplicativo envia um alerta à equipe de atendimento se um paciente tiver sido agendado para uma ressonância magnética sem ter acesso IV. “Seguimos as rotas mais eficientes com as equipes de atendimento mais eficientes para oferecer o atendimento mais eficiente”, disse Peter.

— Peter Chang, MD, Hospital Geral de Tampa, Tampa, Flórida, EUA

Com oito telas e dez membros da equipe, o centro de comando temporário de 74 metros quadrados da CareComm foi inaugurado em dezembro de 2018, no mesmo mês em que a equipe lançou seu primeiro aplicativo. O centro permanente de 743 metros quadrados, com 40 telas e 32 membros de equipe, foi inaugurado em agosto de 2019. O projeto entregará 20 aplicativos até o final de 2020.

Em seu primeiro ano, o projeto CareComm economizou 9.000 dias de internação desnecessária de pacientes, executando procedimentos e dando alta o mais rapidamente possível. “Se pretendemos diminuir o custo dos cuidados de saúde, precisamos nos tornar mais eficientes”, disse Peter.

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FOTO DE CORTESIA DA ADVOCATE HEALTH

Melhoria de resultados

Três organizações de saúde dos EUA encontraram eficiência e valor por meio da TI.

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Yale New Haven Health

Local: New Haven, Connecticut

Em 2019, a Yale New Haven Health concluiu um projeto para substituir seu sistema de contabilidade de legado baseado em mainframe por uma nova plataforma que mescla dados financeiros e clínicos. Agora, os líderes da área da saúde podem coletar e analisar dados para gerar melhores resultados clínicos e reduzir custos excessivos.

Recompensa: A organização economizou cerca de US$ 150 milhões.

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Penn Medicine

Local: Filadélfia, Pensilvânia

Lançada em 2018, a ferramenta Palliative Connect usa análise preditiva para informar aos provedores sobre os pacientes que tiveram consultas de cuidados paliativos. Ela ajuda a coordenar a equipe de cuidados básicos de um paciente e os especialistas em paliativos.

Recompensa: O número de pacientes que receberam alta da unidade de cuidados paliativos quase dobrou, enquanto a mortalidade hospitalar, readmissões em 30 dias e transferências para unidades de terapia intensiva caíram.

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NO SENTIDO HORÁRIO, DE CIMA, À ESQUERDA. FOTOS DE CORTESIA DA YALE NEW HAVEN HEALTH, PENN MEDICINE E UCHEALTH

UCHealth

Local: Aurora, Colorado

O projeto de análise preditiva da UCHealth, lançado em 2018, usa variáveis nos resultados dos pacientes antes e depois da cirurgia eletiva, juntamente com os registros eletrônicos de saúde dos pacientes para estabelecer conexões entre condições e resultados pré-operatórios.

Recompensa: A organização reduziu os custos operando com mais eficiência.

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