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O crescimento renovável aumenta a necessidade de linhas de transporte de corrente contínua de longa distância

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Construção de uma linha de transmissão de energia de corrente contínua de alta tensão de 330 quilovolts na Ucrânia

FOTO DE SERGEI MALGAVKO\TASS VIA GETTY IMAGES

À medida que um futuro energético mais limpo surge no horizonte, um grande obstáculo ainda obstrui a vista: a capacidade de movimentar eficientemente a energia, principalmente de parques eólicos, instalações solares e hidrelétricas remotos até clientes urbanos e em áreas distantes. Linhas de corrente contínua de alta tensão (CCAT) podem preencher a lacuna e estimular o crescimento de energia renovável. A Siemens, que está executando vários projetos de CCAT, estima um mercado mundial de aproximadamente 40 projetos de novas linhas e 20 projetos de reforma nos próximos 10 anos.

Projetos para construir linhas são frequentemente grandes empreendimentos. A State Grid Corp. da China deverá colocar em funcionamento a segunda fase de CNY 18,6 bilhões da sua linha de CCAT no final deste ano no Brasil, abrangendo mais de 2.500 quilômetros e 78 cidades. No ano passado, a empresa também iniciou um projeto para construir uma linha de mais de 3.200 quilômetros na China, que irá transmitir energia suficiente para suprir cerca de 26,5 milhões de pessoas quando for concluída, no final deste ano. “Temos muitas fontes de energia renovável em todo o mundo que não são utilizadas hoje, mas que devemos utilizar mais”, disse Markus Pettersson, gerente global de produtos de transformadores de CCAT da ABB, à Future Power Technology.

A China, que tem a maioria de suas usinas de carvão e instalações hidrelétricas localizadas em áreas remotas, está liderando o caminho na construção de linhas de CCAT dentro de suas fronteiras e além. Projetos também estão surgindo em toda a Europa. Em dezembro, uma joint-venture da Elia e da National Grid, com instalação da Siemens, construiu uma linha de CCAT de GBP 560 milhões (140 quilômetros) que liga Herdersbrug, na Bélgica, a Richborough, na Inglaterra. A National Grid está agora buscando outros projetos na França, Noruega e Dinamarca.

As equipes geralmente enfrentam dois desafios principais ao executar esses sistemas vastos: custos e licenças. Projetos de CCAT são caros. Como a maior parte do mundo é equipada para correntes alternadas (CA), as linhas de CC requerem uma estação conversora em cada extremidade para transformar a energia de entrada em CC e de volta para CA para entrega. É um esforço tão caro que, nos Estados Unidos, por exemplo, bilionários começaram a financiar projetos diante da ausência de apoio público. Ao mesmo tempo, os desafios com partes interessadas são comuns devidos à extensão das linhas, o que pode significar que muitas autoridades municipais e provinciais precisam aprovar os projetos.

Carga para frente

A incapacidade de atrair partes interessadas do governo local e públicas paralisou muitos projetos nos Estados Unidos. Uma linha de transmissão de 1.175 quilômetros que poderia levar energia eólica do interior de Wyoming para uma área perto de Las Vegas, Nevada, enfrentou anos de atraso em razão de licenciamento. Outros projetos estagnaram porque os estados que seriam atravessados pelas linhas as consideram disruptivas, e que não fornecem valor aos moradores locais.

“Se um estado não obtém nenhum benefício, ele não precisa dar o direito de construir uma linha para passar por suas jurisdições”, disse Ram Adapa, executivo técnico do setor de fornecimento e utilização de energia do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica, que realiza pesquisa e desenvolvimento no setor de energia elétrica, incluindo projetos de CCAT. O instituto fica em Palo Alto, Califórnia, EUA.

Prever atrasos pode ajudar. As equipes de projeto podem contornar esses contratempos, estendendo partes iniciais dos cronogramas do projeto para garantir licenças de todas as jurisdições, disse Rajendra Iyer, líder global de negócios de soluções de integração de redes na GE Renewable Energy, membro do Conselho Executivo Global do PMI, Paris, França. No ano passado, sua equipe concluiu um projeto de CCAT de USD 1,5 bilhão, com duração de seis anos, para transportar energia offshore do Mar do Norte ao noroeste da Alemanha.

“A chave é planejar e executar bem antes da chegada da linha de CCAT”, disse Rajendra. “Os problemas iniciais com gastos de capital pode ser facilmente mitigados com um planejamento adequado”.

O velho se encontra com o novo

Outra forma pela qual as equipes de projeto podem evitar possíveis atrasos é converter linhas de CA existentes em linhas CC, eliminando a necessidade de obter um novo direito de passagem. Mas as reformas apresentam seus próprios desafios, especialmente quando os sistemas precisam ser desligados, disse Jörgen Krömeke, chefe do departamento de propostas e projetos de CCAT, Siemens Gas and Power, Nuremberg, Alemanha.

A Siemens está atualizando a mais antiga linha de CCAT da Índia, com conclusão prevista para 2021. Instalações em funcionamento, como acontece neste projeto, exigem agilidade para minimizar os tempos de indisponibilidade, disse ele. Ter uma forte presença local ajuda.

“Você tenta lidar com isso aproximando-se do cliente e envolvendo as entidades locais”, disse Jörgen. “Estar perto do cliente para manter um contato constante pode ajudar a entender o que o cliente realmente quer e ajustar o escopo para o que o cliente realmente precisa”.

Essa proximidade também permite que a equipe reaja rapidamente às mudanças. “Uma abordagem de gerenciamento de projetos verdadeiramente ágil só é viável com uma forte presença no local, permitindo-nos adaptar rapidamente nossos planos quando necessário”. — Ambreen Ali

Caminho para o passado

O futuro da energia pode exigir uma solução do passado. Mais de um século atrás, Thomas Edison tentou — e falhou — tornar as linhas de corrente contínua (CC) o método mais comum para o transporte de energia elétrica. A corrente alternada (CA) venceu. Mas os recentes avanços tecnológicos tornaram as linhas de corrente contínua de alta tensão (CCAT) uma opção promissora para lidar com a distribuição de energia renovável.

“Uma grande vantagem da CCAT é a eficiência da transmissão de energia em longas distâncias”, disse George Culbertson, vice-presidente de mercados de entrega de energia da HDR à POWER. “Se a rota da linha de transmissão for maior do que 480 quilômetros, a CC é uma opção melhor, porque as linhas de CA têm mais perdas do que as de CC em transmissões de energia de larga escala”.

Em longas distâncias, como no transporte de energia de parques eólicos remotos para áreas urbanas, essas perdas podem ser substanciais. Nos Estados Unidos, por exemplo, as linhas de corrente contínua podem ser uma maneira de aproveitar a enorme quantidade de energia eólica dos estados do norte para suprir as necessidades de energia em todo o país. As linhas de CC também fornecem controle sobre o fluxo de energia, o que pode ajudar a gerenciar a natureza imprevisível da energia gerada a partir de fontes renováveis, como a solar e a eólica.

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