Project Management Institute

O show das trombas

Um santuário de elefantes na Tailândia restaura o equilíbrio da natureza

DE CAROLINE ROBERTS

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FOTOS DE CORTESIA DO ELEPHANT WORLD/BANGKOK PROJECT STUDIO

Nas últimas cinco décadas, a atividade comercial lentamente devastou as florestas de Surin, uma província do nordeste da Tailândia. E para o povo Kui nativo que dependia de suas exuberantes florestas, isso significava ter de enfrentar secas extremas e dificuldades econômicas, bem como realocar os elefantes com os quais conviviam lado a lado por séculos.

Em busca de reverter o avanço da área para a falta de condições de habitação, a Organização Administrativa da Província de Surin criou o Elephant World Cultural Courtyard. Concluído no ano passado pela empresa de arquitetura Bangkok Project Studio, o projeto de cinco anos entregou um centro flexível para 200 elefantes, projetado para atrair e educar turistas, bem como honrar o relacionamento único que os residentes locais têm com os animais.

Para Boonserm Premthada, fundador do Bangkok Project Studio, o objetivo era criar uma instalação enorme que “ajudará os visitantes a aprenderem a coexistir com os animais e o meio ambiente, e ensiná-los sobre empatia”, disse ele. “A arquitetura normalmente é centrada no ser humano. Queríamos mudar isso”.

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— Boonserm Premthada, Bangkok Project Studio, Bangkok, Tailândia

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Todos juntos, agora

O projeto abrange 8.130 metros quadrados e inclui um espaço de programação flexível, hospital para elefantes, um templo, cemitério de elefantes e museu temático sobre a cultura Kui.

Em vez de uma construção simples, Boonserm foi além e projetou pátios e áreas interligados de vários tamanhos, conectados por passeios de tamanhos diferentes. O efeito apaga os limites entre o interior e o exterior, e evoca a interligação natural entre humanos e elefantes que irão compartilhar o espaço.

“Normalmente, as construções tendem destacar mais a proeminência dos prédios em si, e não a essência e a profundidade do projeto”, disse ele.

Da mesma forma, o Bangkok Project Studio empenhou-se em envolver as partes interessadas em todas as fases de planejamento. Mas essa foi uma tarefa difícil no início, pois os residentes locais começaram a desconfiar de organizações que queriam usar seu nome sem oferecer impacto econô- mico nem segurança em troca.

“No início, o povo Kui não confiava em mim”, disse ele. Essa atitude mudou não com folhetos lindos e brilhantes e promessas exageradas, mas com reuniões presenciais com os habitantes locais e o compartilhamento de planos detalhados para usar a mão de obra local durante a execução do projeto, incluindo os residentes Kui e a empresa de engenharia Evotech. A equipe do projeto também teve o cuidado de destacar desde o início e frequentemente como os recursos locais não seriam esgotados durante a construção.

Feito no local

Mais de 480.000 tijolos de barro foram feitos à mão, com argila da região, um empreendimento que empregou dezenas de trabalhadores locais. No pátio central, o solo escavado foi reforçado com rocha basáltica e moldado em montes que ecoam visualmente as colinas onduladas que os elefantes usam para se refrescar. O basalto foi extraído de uma vila a 40 minutos de distância, e o processo de mineração até o nível do lençol freático criou um reservatório útil, disse Boonserm.

Façanha gigantesca

2015: A Organização Administrativa da Província de Surin patrocina uma iniciativa para projetar e construir o Elephant World Cultural Courtyard. A organização convida o Bangkok Project Studio para atuar como arquiteto e líder de projeto.

2016: O plano do projeto é finalizado.

2017: A fase de construção começa.

2020: O projeto é concluído.

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No centro do palco

A principal característica visual do projeto é um dossel extenso — feito de painéis de madeira de 1,5 metro de espessura — que se eleva acima de um grande espaço aberto destinado a eventos culturais, cerimônias religiosas e lazer. Bancos de concreto oferecem assentos para até 800 visitantes, enquanto vasos de concreto cuidadosamente posicionados sob aberturas de ventilação e irrigação no telhado serão, com o tempo, preenchidos com árvores destinadas a fornecer sombra aos elefantes.

O design impactante também pretende encorajar as pessoas a tirar fotos e publicálas nas redes sociais, para aumentar o interesse na instalação por meio da mídia social. “Os elefantes — e a arquitetura — atraem a imprensa e as pessoas ao local”, disse ele.

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TALENTO EM DESTAQUE

Boonserm Premthada,

fundador e arquiteto chefe, Bangkok Project Studio, Bangkok, Tailândia

Em quais projetos você está trabalhando atualmente?

O Mangrove Learning Center com a Sociedade da Cruz Vermelha da Tailândia, um restaurante em uma área rural da Tailândia e um Pavilhão da Tailândia na Bienal de Arquitetura de Veneza. Todo projeto em que trabalho tem como foco a sustentabilidade.

Há quanto tempo você trabalha como arquiteto?

Já são 31 anos. Eu venho de uma classe trabalhadora e comecei a trabalhar durante a faculdade.

Como você encontrou o foco de sua carreira em projetos?

Eu me formei na Tailândia e nunca estudei no exterior, o que manteve minhas ideias puras e livres de influências externas. Mesmo agora, trabalho em um pequeno estúdio com apenas duas outras pessoas. É muito diferente de trabalhar em uma grande empresa, e acho que isso permite que eu dedique meu tempo a olhar para o futuro e tentar criar algo significativo e positivo para a próxima geração.

O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

Não tenho tempo livre. Eu trabalho o tempo todo

Potencial futuro

Uma casa robusta — combinada com a capacidade de atrair e hospedar grandes multidões de turistas — significa que a segurança económica está ao seu alcance. Ainda assim, Boonserm acredita que este projeto pode ser apenas o primeiro passo em direção a uma maior prosperidade.

“Esperamos que este projeto inspire a criação de outros no futuro”, disse ele, como iniciativas de reflorestamento, infraestrutura adicional de água e, potencialmente, um centro de produção para usar esterco de elefante na produção de café. Nesse ínterim, porém, o fluxo constante de turistas (mesmo durante a pandemia) e o aumento de elefantes que foram devolvidos à área são motivos suficientes para comemorar. PM

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