Uma cidade modelo

Réplicas virtuais podem reformular os projetos da cidade do futuro

 

Cidades são entidades dinâmicas e até mesmo o mais simples dos projetos pode ter efeitos em cascata desconhecidos. Mas e se houvesse uma maneira de saber exatamente como uma mudança afetaria todos os aspectos de uma cidade?

A “gêmea digital” de uma cidade é uma réplica virtual que extrai informações de agências governamentais, modelos em 3D, tecnologia da internet das coisas, dados em tempo real e outras fontes. Com esses dados, por exemplo, os funcionários municipais podem analisar o impacto do trabalho de obras no tráfego ou a poluição sonora de novas linhas ferroviárias; planejadores urbanos podem consultar padrões de insolação para otimizar um novo projeto de energia solar; e partes interessadas públicas podem visualizar e compreender as implicações das propostas. Várias cidades, incluindo Singapura, Singapura, e Paris, França, estão buscando projetos de desenvolvimento de tecnologia para construir tais modelos de cidades virtuais.

O projeto Virtual Singapore, de USD 73 milhões e cinco anos, está previsto para ser lançado ainda este ano. Feeds de vídeo ao vivo de câmeras de segurança, imagens via satélite ou fotos de arquivos reunidas pela inteligência artificial elevarão o modelo da representação em 3D a uma verdadeira réplica virtual. A Virtual Singapore é uma parceria público-privada entre a empresa de software francesa Dassault Systèmes, que construiu a plataforma digital, empresas privadas e uma variedade de organizações estatais de Singapura.

“O modelo em 3D de Singapura será útil para antecipar desafios que possam surgir como resultado de decisões no futuro”, disse Iderlina Mateo-Babiano, PhD, professora sênior de planejamento urbano da Universidade de Melbourne, Melbourne, Austrália. “Ele também fornece uma base clara para fazer mudanças políticas informadas dentro das cidades e é uma boa ferramenta para engajar melhor as comunidades, visualizando suas necessidades e desejos”.

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— Iderlina Mateo-Babiano, PhD, Universidade de Melbourne, Melbourne, Austrália

As possibilidades de gêmeas digitais se estendem a cidades que ainda não foram construídas. O governo indiano está patrocinando o desenvolvimento de uma nova capital administrativa, Amaravati, em Andhra Pradesh, que deve ser concluída em 2025. A gêmea digital de Amaravati servirá como uma plataforma de comando e controle durante a construção da cidade. A tecnologia modelará como a infraestrutura planejada se comportará em um ambiente físico antes que a equipe do projeto inicie a operação e dará à equipe a capacidade de monitorar os resultados em tempo real após o início da construção. Por exemplo, a gêmea digital de Amaravati simulará como edifícios e materiais resistirão ao calor — as temperaturas podem chegar a 50 graus Celsius em Andhra Pradesh.

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Acima, o projeto Virtual Singapore ajuda a prever padrões de vento. Aqui, uma réplica virtual da cidade

Ambiente de teste virtual

Em Singapura, as autoridades estaduais reconheceram os benefícios potenciais de disponibilizar esse modelo: as empresas podem usar os dados para otimizar melhor suas ofertas para a demografia alvo, e os pesquisadores podem usar o modelo para experimentar como integrar novas tecnologias e serviços na paisagem urbana.

Singapura era uma candidata madura para esse projeto. A cidade-estado adota tecnologia de ponta e tem capacidade física limitada para experimentos municipais. “A Singapura virtual elimina a necessidade de testar esses planos em ambientes físicos reais nos quais temos muito pouco espaço”, disse Ng Siau Yong, diretor da Autoridade de Terras de Singapura, em um vídeo promocional, no ano passado.

Embora a tecnologia que está sendo desenvolvida neste projeto seja inovadora, os desafios enfrentados pela equipe do projeto não serão desconhecidos, disse Iderlina. “As barreiras comuns incluem disponibilidade de dados, capacidade técnica e restrições financeiras, especialmente se o projeto não for uma prioridade para a cidade” Como resultado, ela diz que a execução bem-sucedida depende em grande parte da cooperação entre várias partes interessadas, líderes de projetos e desenvolvedores. — CJ Waity

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