Gestão do conhecimento e gerência de projetos: ferramentas & técnicas do PMBOK®

Administration of knowledge and project management: PMBOK® tools & techniques

Resumo

Este trabalho enfoca na análise da evolução das ferramentas e técnicas (F&T) para as três edições do Um Guia do Conjunto de Conhecimentos deo Gerenciamento de Projects (Guia del PMBOK®). A primeira aproximação para a abordagem do problema usa os termos em inglês das F&T para que as edições sejam comparáveis. São feitas contagens simples dos termos das F&T por edição mostrando-se, as quantidades de termos de F&T que permaneceram ao longo do tempo. Foi feito um estudo de freqüência dos termos das F&T por edição para a identificação de homonímias. A seguir, foi feito um estudo semântico desse conteúdo para identificação de polissemias. Também foi observado o fenômeno de aglutinação e expansão de certos termos no desenvolvimento das F&T ao longo das edições do Guia del PMBOK®, bem como a especialização do conhecimento e ampliação do significado.

Introdução

Este texto apresenta os primeiros resultados de uma pesquisa que se propõe a obter os chamados “conhecimentos e habilidades” para o melhor uso das principais ferramentas e técnicas (F&T) propostas pelo Guia del PMBOK® 2004. Inicialmente, foi construída uma base de dados em banco de dados relacional, contendo todos os termos em inglês que designam as F&T para as três edições do Guia del PMBOK®, tirando proveito da estrutura hierárquica e da estabilidade formal na qual o documento foi construído (termos são os nomes atribuídos às F&T).

Essa estrutura hierárquica é do tipo xx.yy.ww.zz, onde xx se refere ao número da área de conhecimento, yy é o número do processo de determinada área. No caso de ww, são as entradas, F&T e as saídas. O item zz é o número da F&T do processo em questão.

A hipótese inicial de que o conjunto de termos de F&T de uma edição posterior seria o superconjunto dos termos das edições anteriores foi logo refutada por observação. Isso possibilitou a intuição de que haveria uma natalidade e uma mortalidade nas F&T do Guia del PMBOK®, o que mostra a evolução do conhecimento ao longo das suas edições.

Foram feitas consultas contra essa base de dados de modo a estabelecer os termos usados em cada edição sem repetição, obtendo-se quais termos são próprios de somente uma edição, quais ocorrem em duas edições e quais termos são “sobreviventes” às três edições.

Posteriormente, foi realizado um estudo de freqüência dos termos por edição, abrindo o caminho para a identificação de possíveis homonímias, iniciando-se a pesquisa para os conceitos envolvidos na concepção das F&T. Também é realizada uma análise das mudanças introduzidas nas diferentes versões do Guia del PMBOK® e que não configuram evolução do conhecimento, mas somente uma reorganização lógica de conteúdos. São discutidos temas como padronização, aglutinação e expansão de ferramentas e técnicas (F&T) e deslocamento dessas F&T entre processos ou áreas de conhecimento. Através de alguns conceitos lingüísticos são abordadas a especialização do conhecimento e ampliação e a restrição do significado.

A evolução natural desse trabalho é o mapeamento dos conhecimentos e habilidades vinculados a cada F&T do Guia del PMBOK® 2004. Usamos o conceito de CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) encontrado em (Carbone, Brandao, Leite & Vilhena, 2005).

Resultados

Inicialmente, a convicção do grupo era de que a evolução das F&T se daria mais por acréscimo cumulativo de ferramentas de uma edição para outra do Guia del PMBOK® e que os eventuais descartes de ferramentas seriam raros.

Após a criação das bases de dados, contendo todos os termos das F&T, para os respectivos processos de cada área para cada edição, observou-se que o comportamento da evolução dos termos não se dá por mera acumulação de edição para edição, que o descarte de ferramentas é relevante, que a inclusão de novas ferramentas é bastante significativo e que a disciplina de gerência de projetos, tal como apregoada pelo PMI, é dinâmica, apesar de uma estrutura estável ao longo dos anos.

As consultas contra as bases de dados mostraram conjuntos de termos não repetidos para cada edição do Guia del PMBOK® de modo a quantificá-los. Foram encontrados 89 termos em 1996, 106 termos em 2000 e 145 termos em 2004.

A inclusão de novos termos de edição para edição é chamada de “natalidade”. A exclusão termos edição para edição é chamada de “mortalidade”. Termos que permanecem de edição para edição são chamados de “sobreviventes”.

número de termos por edição com mortalidade e natalidade

Figura 1 – número de termos por edição com mortalidade e natalidade.

Da edição de 1996 para edição de 2000 foram descartados 11 termos (mortalidade) e incorporados 28 termos (natalidade), um incremento de 17 termos de F&T (figura 1). Sobreviveram 78 termos em 2000 (figura 2). Da edição de 2000 para edição de 2004 foram descartados 51 termos (mortalidade) e incorporados 90 termos (natalidade), um incremento de 39 termos de F&T (figura 1). Sobreviveram 55 termos em 2004 (figura 2).

número de termos por edição

Figura 2 – número de termos por edição.

Somente 47 termos “sobreviveram” às três edições do Guia del PMBOK® (figura 2). Evidentemente, o mero estudo dos termos sob o ponto de vista quantitativo avalia algumas questões de forma do conhecimento, porém não aborda as questões de conteúdo deste conhecimento. O estudo dos termos e conceitos é dependente de contexto e está sendo realizado de acordo com as técnicas propostas em (Campos, 2001).

Por exemplo, algumas F&T são de natureza mais gráfica, onde são exibidas hierarquias como a WBS, relações de tempo como o PDM, relações de causa e efeito (Fishbone ou Ishikawa) ou mesmo gráficos convencionais com o gráfico de controle e o gráfico de Pareto. Outras são de natureza numérica, tal como a modelagem paramétrica.

Existem mesmo ferramentas como o Expert Judgment, que é muito dependente de contexto e que em uma primeira análise pode ser considerada “subjetiva”, até ser contextualizada.

Como vem acontecendo um crescimento do número de F&T de edição para edição do Guia del PMBOK® é desejável que alguma técnica de gestão do conhecimento seja utilizada explicitamente para agrupá-las. Categorizações alternativas para identificar o tipo de ferramenta podem ser úteis para esse fim.

Nesse caminho, primeiramente foi realizado um estudo de freqüência da ocorrência dos termos por edição do Guia del PMBOK®. Isso auxilia na identificação de homonímias. Uma vez identificados termos com mais de uma ocorrência, localiza-se cada ocorrência na estrutura do Guia del PMBOK® (tabela 1).

Para recordar, a estrutura hierárquica na qual os processos das áreas de conhecimento estão inseridos, obedece ao tipo xx.yy.ww.zz, onde xx se refere ao número da área de conhecimento, variando de 04 a 12 (as nove áreas), yy variando de 01 até o número de processos de determinada área. No caso de ww, 01 são as entradas, 02 são as F&T e 03 são as saídas. No nosso caso, “ferramentas e técnicas”, fixamos ww em 02. O item zz varia de 01 até o número máximo de F&T do processo em questão.

O estudo inicial de freqüência da ocorrência de homonímias demonstra que o termo campeão para as três edições é Expert Judgment (com 7 ocorrências em 1996, 6 ocorrências em 2000 e 14 ocorrências em 2004). Naturalmente, é possível que essas ocorrências não se refiram todas às mesmas F&T, de modo que se inicia aqui o estudo dos conceitos, dentro do contexto de cada ocorrência de Expert Judgment Para cada área e processo correspondente.

Analisando um pouco mais a F&T Expert Judgment, percebe-se que essa F&T é encontrada no Guia del PMBOK® 2004 nas áreas de: integração, escopo, tempo e aquisições. Especificamente para a área de integração, foram escolhidos dois exemplos – caso 1: 04.01.02.04 (integration, develop project charter, tools and techniques, expert judgement); e caso 2: 04.02.02.03 (integration, development preliminary project scope statrement, tools and techniques, expert judgement).

Para o caso 1, o Guia del PMBOK® 2004 (em português) oferece a seguinte definição: “Opinião especializada. A opinião especializada é freqüentemente usada para avaliar as entradas necessárias para desenvolver o termo de abertura do projeto. Essa opinião e especialização são aplicadas a qualquer detalhe técnico e de gerenciamento durante esse processo. Essa especialização pode ser oferecida por qualquer grupo ou pessoa com conhecimento ou treinamento especializado e está disponível a partir de diversas fontes, inclusive: Outras unidades dentro da organização; Consultores; Partes interessadas, inclusive clientes ou patrocinadores; Associações profissionais e técnicas; Setores.”

Para o caso 2, o Guia del PMBOK® 2004 (em português) oferece a seguinte definição: “Opinião especializada. A opinião especializada é aplicada a qualquer detalhe técnico e de gerenciamento a ser incluído na declaração do escopo preliminar do projeto”.

Fica evidente que, apesar dos termos serem iguais (mesmo nome – homonímia) os conceitos (o significado de cada termo) são diferentes, portanto, o tratamento deve ser diferenciado para cada caso, mesmo com termos idênticos.

Para o Guia del PMBOK® 2004, além das ocorrências de Expert Judgment (14), também foram percebidas as seguintes F&T com o número de ocorrências superior a 2: Project management information system (7), Project management methodology (7), Project management software (5), Reserve analysis (4) e Parametric estimating (3) (ver tabela 1 “nome da F&T 2004”). Existem alguns casos de freqüência igual a 2 que foram omitidos.

A primeira parte do estudo aborda a contagem, natalidade e mortalidade das ferramentas, através do que ocorre com seus termos correspondentes. Os conceitos envolvidos (o significado dos termos) podem revelar alguma outra relação até aqui escondida. Uma segunda abordagem para o problema seria então o estudo desses significados, tentando identificar possíveis sinonímias entre as versões do Guia del PMBOK®, ou seja, ferramentas com nomes distintos, mas com significados iguais.

Por exemplo, em 2000 existe a F&T chamada Procurement (Contratação, de acordo com a tradução do Guia del PMBOK®), que segundo o Guia del PMBOK® seria “necessária quando a organização não tem o pessoal necessário no seu quadro para concluir o projeto”. Na versão de 2004 do Guia del PMBOK® (em português) o termo Procurement é substituído por Acquisition, com a seguinte definição: “Quando a organização executora não possui o pessoal interno necessário para terminar o projeto, os serviços exigidos podem ser adquiridos de fontes externas. Isso pode envolver a contratação de consultores individuais ou a subcontratação de trabalho de outra organização”. Percebe-se que se trata da mesma ferramenta, com nomenclaturas distintas. Na verdade, procurement é um sinônimo de acquisition

Tabela1 – Termos das F&T com mais de 2 ocorrências para 1996, 2000 e 2004.

Nome da F&T 1996 Ocorrências
Expert Judgment 7
Additional planning 4
Performance measurement 4
Project management information system 3
Simulation 3
Nome da F&T 2000 Ocorrências
Expert Judgment 6
Additional planning 4
Performance measurement 4
Project management information system 3
Project management software 3
Nome da F&T 2004 Ocorrências
Expert Judgment 14
Project management information system 7
Project management methodology 7
Project management software 5
Reserve analysis 4
Parametric estimating 3

A partir da identificação das sinonímias foram reclassificadas a “natalidade”, “mortalidade” e os termos “sobreviventes” nas diferentes versões do Guia del PMBOK®, agora não apenas sob a ótica de suas denominações, mas também de seus significados.

Da edição de 1996 para edição de 2000 foram descartados 3 termos (mortalidade) e incorporados 20 termos (natalidade), um incremento de 17 termos de F&T (figura 3). Sobreviveram 86 termos em 2000 (figura 4). Da edição de 2000 para edição de 2004 foram descartados 24 termos (mortalidade) e incorporados 63 termos (natalidade), um incremento de 39 termos de F&T (figura 3). Sobreviveram 82 termos em 2004 (figura 4).

número de termos sinônimos por edição com mortalidade e natalidade

Figura 3 – número de termos sinônimos por edição com mortalidade e natalidade.

Analisando-se então as sinonímias, os chamados termos “sobreviventes” às três edições do Guia del PMBOK® (figura 4), são na verdade 69 e não 47 como se pensava inicialmente. Estes termos são prioritários para uma análise posterior, por configurarem o tipo de conhecimento mais estável ao longo do tempo.

número de termos sinônimos por edição

Figura 4 – número de termos sinônimos por edição.

Evidentemente, o mero estudo dos termos sob o ponto de vista quantitativo avalia algumas questões de forma do conhecimento, porém não aborda as questões de conteúdo deste conhecimento. O estudo dos termos e conceitos é dependente de contexto e está sendo realizado de acordo com as técnicas propostas em (Campos, 2001).

O estudo das ferramentas dentro do contexto em que elas estão inseridas permite identificar, além das sinonímias, as polissemias e homografias. Polissemia e Homografia são conceitos distintos, porém semelhantes e se referem basicamente a termos que tem a mesma grafia, porém significados diferentes. Gramaticalmente a principal diferença consiste no fato de na homografia não se conseguir estabelecer uma relação entre os significados, enquanto na polissemia apesar dos significados serem diferentes dependendo do contexto, eles pertencem a uma mesma categoria.

A tentativa de estabelecer uma relação entre os termos semelhantes, agrupando-os por categoria leva a estabelecer uma classificação que foi chamada de especialização do conhecimento, ou seja, termos iguais, da mesma categoria, mas que assumem significados diferentes dependendo do contexto em que estão inseridos.

A ampliação ou a restrição do significado ocorre quando uma nova funcionalidade ou característica é acrescentada a uma ferramenta ou técnica. Essa mudança pode caracterizar uma evolução do conhecimento, mas algumas vezes é difícil mensurar até que ponto realmente houve um acréscimo ou decréscimo ao conjunto de conhecimentos anterior ou se houve uma simples correção de uma lacuna deixada em uma versão anterior do Guia del PMBOK®.

Para efeito desse estudo, considera-se ampliação qualquer funcionalidade ou alteração que tenha sido introduzida em uma F&T e não estava presente na versão anterior. Como exemplo de ampliação, podemos citar a ferramenta Standard forms presente na área de aquisições. Na versão de 2000 do Guia del PMBOK® existe a seguinte definição: “Os formulários padrões podem incluir padrões de contratos e descrições de itens de compra, ou versões padronizadas de parte ou toda a documentação necessária ao edital. As organizações que realizam quantidades substanciais de aquisições podem ter muitos desses documentos padronizados”.

Em 2004 essa F&T foi ampliada e passou a ter a seguinte definição : “Os formulários padrão incluem contratos padrão, descrições padrão de itens de aquisição, termos de confidencialidade, listas de verificação de critérios de avaliação de propostas ou versões padronizadas de todas as partes dos documentos de licitação necessários. As organizações que realizam quantidades substanciais de aquisições podem ter muitos desses documentos padronizados. As organizações de compradores e fornecedores que realizam transações de propriedade intelectual garantem que os termos de confidencialidade serão aprovados e aceitos antes da divulgação de qualquer informação de propriedade intelectual específica do projeto para a outra parte.”.

Percebe-se então que em 2004 a abrangência dessa F&T é bem maior. Os contratos padrão foram detalhados com maior precisão e foi introduzido o conceito de propriedade intelectual e confidencialidade.

A abordagem das variações ocorridas entre as diferentes versões do Guia del PMBOK® permitiu, em um primeiro momento, identificar como o conhecimento evoluiu ao longo do tempo. Mas, muitas das mudanças observadas, não introduziram nenhum acréscimo a esse conjunto de conhecimentos. Essas mudanças tinham como objetivo apenas reclassificar o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos.

Nunca é demais lembrar que não é o Guia del PMBOK® que determina o conjunto de conhecimentos em gerência de projetos. Sua função é identificar e representar, entre esse conjunto de conhecimentos os que são reconhecidamente admitidos como as boas práticas em gerenciamento de projetos. E nada mais natural que esse conjunto de conhecimentos e boas práticas seja ordenado da maneira mais lógica possível.

A cada versão nova do Guia del PMBOK® a representação desse conhecimento é aprimorada, sendo muitas vezes necessária a reclassificação de processos ou F&T. A primeira forma de reordenar esse conhecimento é a padronização dos termos dentro do Guia del PMBOK® visando estabelecer um consenso ou um padrão lógico. A segunda maneira é o deslocamento simples de F&T entre processos, ou de processos entre as áreas de conhecimento. E a última forma de reclassificar o conhecimento é o que chamamos de aglutinação ou expansão das ferramentas.

O Guia del PMBOK®, é um guia do conjunto de conhecimentos e inclui as melhores práticas utilizadas em gerenciamento de projetos. Segundo o Guia del PMBOK® “o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos completo inclui práticas tradicionais comprovadas amplamente aplicadas, além de práticas inovadoras que estão surgindo na profissão, inclusive materiais publicados e não publicados”. Como resultado disso, o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos está em constante evolução [PMI 2004, p.19].

Enquanto as práticas tradicionais representam o conjunto de conhecimentos que se manteve estável ao longo dos anos, as práticas inovadoras representam a evolução desse conhecimento ao longo do tempo. Além disso, ao mencionar os materiais publicados e não publicados, o Guia del PMBOK® não restringiu o escopo do conhecimento ao conhecimento escrito como livros, revistas e artigos acadêmicos. Ele reafirmou que o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos vai mais além, incluindo todas as boas práticas utilizadas e difundidas pelos profissionais da área.

A cada edição, o PMI procura corrigir as falhas nas edições anteriores e estabelecer uma linguagem comum a todos os envolvidos com o gerenciamento de projetos. O primeiro passo para o estabelecimento dessa linguagem comum foi a mudança no próprio título do documento produzido pelo PMI. Em 1987, esse documento se auto-intitulava “O conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos”. Além disso, definia esse conjunto de conhecimentos como “todos os tópicos, áreas de assunto e processos intelectuais envolvidos na aplicação de princípios sólidos de gerenciamento para projetos”. Em 1996, o título foi alterado para “Um Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos (Guia del PMBOK®)”. Uma mudança sutil, mas significativa. O PMI deixava de lado essa tentativa impossível de construir uma panacéia, ou seja, um documento que contivesse todo o conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos, e lançava um documento dinâmico, aberto e em permanente evolução.

Na terceira edição do Guia del PMBOK®, em 2004, a equipe de projeto do PMBOK propôs uma mudança em larga escala no nome dos processos para o formato verbo-objeto, pois a maioria dos leitores não conseguia determinar de imediato se um termo era uma atividade (um processo) ou uma entrega (um produto do trabalho ou objeto). O PMI, entretanto, achou que essa mudança seria grande demais e autorizou apenas uma mudança incremental na edição para incluir somente os novos processos aprovados e um pequeno número de outros processos.

As F&T, a princípio, não sofreram nenhuma tentativa de padronização. Contudo, uma análise mais detalhada de nossa base de dados buscando identificar as sinonímias, identificou uma série de mudanças nos nomes dessas F&T. Algumas dessas mudanças foram incrementais, ou seja, agregaram algum tipo de valor ao conteúdo da ferramenta. Outras, entretanto, não caracterizaram nenhum tipo de evolução no conjunto de conhecimentos. Poderia se tentar argumentar que essas mudanças seriam uma tentativa de estabelecer um padrão, uma nomenclatura aceita por consenso entre os profissionais da área. Porém, isso não explica mudanças simples como a F&T “Co-location” que se passou a chamar “Collocation” ou a mudança de “Earned Value Technique” para “Earned Value Analysis”.

A forma mais simples se reclassificar as F&T são os deslocamentos entre processos ou áreas. Esse deslocamento pode ocorrer dentro da mesma área de conhecimento ou entre áreas diferentes. Esses deslocamentos ocorrem devido a uma maior afinidade com um processo ou área ou até mesmo como conseqüência de uma aglutinação ou expansão conforme veremos mais adiante nesse estudo. Um bom exemplo de deslocamento entre processos e áreas diferentes é a F&T chamada Status review meetings, que na versão de 2000 do Guia del PMBOK® se encontrava dentro do processo de execução do plano do projeto na área de integração. Na versão seguinte do Guia del PMBOK® essa F&T passou a aparecer na área de comunicações, dentro do processo relato de desempenho.

Para entender melhor a mudança é necessário em primeiro lugar observar a definições do Guia del PMBOK® para as reuniões de avaliação do andamento (Status review meetings) e para as áreas relacionados. Segundo o Guia del PMBOK® (2000 e 2004), as reuniões de avaliação do andamento são eventos regularmente agendados para trocar informações sobre o projeto. Ainda de acordo com o Guia del PMBOK®, “a área de conhecimento em gerenciamento de integração do projeto inclui os processos e as atividades necessárias para identificar, definir, combinar, unificar e coordenar os diversos processos e atividades de gerenciamento de projetos dentro dos grupos de processos de gerenciamento de projetos” e “o gerenciamento das comunicações do projeto é a área de conhecimento que emprega os processos necessários para garantir a geração, coleta, distribuição, armazenamento, recuperação e destinação final das informações sobre o projeto de forma oportuna e adequada”. Com base na definição da F&T e das áreas de conhecimento percebe-se perceber que status review meetings se encaixa melhor na área de gerenciamento das comunicações. Até porque, em 2000 já existia a ferramenta performance reviews que eram reuniões para acompanhar a performance e andamento do projeto. Nada mais lógico então que a ferramenta status review meetings migrasse para o processo de relato de desempenho em substituição ao anterior.

Além disso, focando os cinco grupos de processos do Guia del PMBOK® (Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento & Controle e Fechamento), percebe-se que status review meetings (reuniões de avaliação de andamento) é claramente uma F&T que denota controle. Como justificar então a sua inserção em um processo do grupo de execução como execução do plano do projeto? Pensando nisso é plenamente justificável sua mudança para o processo de relato de desempenho do grupo de controle. Outra forma de deslocamento muito comum ocorre quando um processo inteiro se desloca para outra área de conhecimento. Nesse caso, ao acompanhar o processo a F&T acaba também se deslocando.

A útima forma de reorganização do conteúdo são chamadas de aglutinação e expansão de ferramentas e técnicas. Embora tenhamos classificado esse tópico como de natureza predominantemente não evolutiva, pode acontecer que junto com a expansão ou aglutinação das ferramentas seja acrescentado algum conteúdo ao Guia del PMBOK®.

A aglutinação ocorre quando uma série de ferramentas se junta em uma única, pelo menos do ponto de vista da terminologia. A expansão é o contrário da aglutinação: uma única ferramenta dando origem a várias outras. Em 2000, o processo Planejamento de Respostas aos Riscos, da área de Integração era composto de quatro ferramentas e técnicas: Evitar o risco, Transferência, Mitigação e Aceitação. Na versão de 2004 as três primeiras ferramentas foram aglutinadas em uma única ferramenta com o nome de Estratégias para riscos negativos ou ameaças.

Algumas vezes pode ocorrer expansão e aglutinação ao mesmo tempo. Por exemplo, na versão de 2000 do Guia del PMBOK®, tínhamos quatro ferramentas e técnicas para Análise quantitativa de riscos, que eram Interviewing, Sensitivity analysis, Decision tree analysis e Simulation. Interviewing (Entrevistas) era uma ferramenta que incluía técnicas para quantificar a probabilidade dos riscos e fazia uso também de técnicas de distribuição de probabilidades. Na versão de 2004 do Guia del PMBOK®, a ferramenta Interviewing foi inserida (aglutinada) dentro da ferramenta Data gathering and representation techniques (Técnicas de distribuição e coleta de dados). Embora tenha havido uma aglutinação dentro de uma única ferramenta, a criação dos sub-tópicos distintos entrevistas, distribuição de probabilidades e opinião especializada deram um maior destaque à distribuição de probabilidades, que antes era apenas mencionada dentro da ferramenta Interviewing. Desta forma, além da aglutinação, podemos considerar que também houve uma expansão da ferramenta. Já as ferramentas Sensitivity analysis, Decision tree analysis e Simulation foram aglutinadas como Análise quantitativa de riscos e técnicas de modelagem (Quantitative risk analysis and modeling techniques).

Referências

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Campos, M. L. A.. (2001) Linguagem Documentária Teorias que fundamentam sua elaboração. EDUFF,.

Carbone, P. P. Brandão, H. P. Leite, J. B. D. Vilhena, R. M. P. (2005) Gestão por competências e gestão do conhecimento. Rio de Janeiro, RJ, FGV.

Davenport, T. H., Prusak, L. (1998) Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Campus.

Correia, M. Homonímia e polissemia - contributos para a delimitação dos conceitos, FLUL / SILEX (UMR CNRS) / ILTEC. Recuperado em 06/29/06: http://www.iltec.pt/pdf/wpapers/2000-mcorreia-homonimia_polissemia.pdf

Nonaka, Ikujiro. (1994) A Dynamic Theory of Organizational Knowledge Creation. Institute of Business Research, Hitotsubashi University, Kunitachi, Tóquio, Japão. Organizational Science 5, (1), Fevereiro. Recuperado em 06/29/06: http://www.michaelwmorris.com/R671/documents/Session_09/Nonaka94.pdf

PMI (1996) A Guide to Project Management Body of Knowledge 1996 Edition. Project Management Institute.

PMI (20000 A Guide to Project Management Body of Knowledge 2000 Edition. Project Management Institute.

PMI (2004) A Guide to Project Management Body of Knowledge. Third Edition. Project Management Institute. (edição de 2004).

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Sulaiman, A. Barros, A. C. A., Rodriguez, R B. (2006, January/February) A natalidade e a mortalidade das Ferramentas & Técnicas no PMBOK® - Revista MundoPM.

Sulaiman, A. Barros, A. C. A., Rodriguez, R B. (2006, June/July) Integração: ferramentas & técnicas no PMBOK® - Revista MundoPM.

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© 2006, Alberto Sulaiman Sade Júnior, Adolfo Costa D'Assunção Barros, Roberto Blanco Rodriguez
Originally published as a part of 2006 PMI Global Congress Proceedings – Santiago, Chile

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