FOTOS CORTESIA DA POLÍCIA DA NOVA ZELÂNDIA
Para muitas mulheres policiais muçulmanas, o hijab é parte fundamental do uniforme. Mesmo assim, sem uma peça feita especificamente para uso no cumprimento do dever, muitas mulheres se contentavam com soluções improvisadas, o que significava que nem sempre se sentiam bem-vindas. Para a Polícia da Nova Zelândia, em Christchurch, a questão ganhou importância depois dos mortais tiroteios nas mesquitas de 2019, forçando o departamento a repensar a inclusão em suas próprias fileiras.
“Havia uma parte da nossa comunidade que inadvertidamente ficou isolada dos serviços”, disse o inspetor Braydon Lenihan, gerente de operações do grupo de trabalho de operações e resposta nacional da Polícia da Nova Zelândia. “Para ser um verdadeiro serviço policial para a comunidade que servimos, temos que representar toda a comunidade. Não parecia certo que uma seção de nossa comunidade não pudesse se juntar a nós por causa do código de vestimenta”.
— Braydon Lenihan, Polícia da Nova Zelândia
O departamento colaborou com a Escola de Design Nga Pae Mahutonga Wellington, da Massey University, para desenvolver um hijab adequado para o uso. Ao longo de 16 meses, a equipe iterou extensivamente enquanto se mantinha fiel às especificações estritas do projeto: o hijab tinha que ser confortável durante longos turnos, fornecer um campo de visão desobstruído e não interferir na direção ou no uso de arma de fogo.
A nova recruta policial Zeena Ali, uma mulher muçulmana que decidiu se juntar à polícia da Nova Zelândia após os ataques de Christchurch, usou protótipos durante seu treinamento, e seu feedback foi usado para chegar à versão final. Os policiais costumam usar um fone de ouvido, por exemplo, então a equipe adaptou o design do hijab. E como o tecido tradicional enrolado em volta do pescoço pode apresentar um risco de asfixia, o hijab inclui fechos magnéticos que podem ser facilmente liberados durante uma briga.
O projeto foi concluído em novembro de 2020, e Zeena se tornou a primeira policial a usar o hijab oficial.
“Fazer algo assim poderia ter sido muito polarizador. O fato de ter sido normalizado tão rapidamente é o ponto positivo que extraio disso”, disse Braydon. “É apenas mais um uniforme, é apenas mais uma peça de roupa e Zeena é apenas mais uma policial da Nova Zelândia”.